Make your own free website on Tripod.com

POR QUE CREIO NA IGREJA CATÓLICA?

 

1.1. JESUS FUNDOU A IGREJA E A CONFIOU A PEDRO

1. Jesus quis fundar uma Igreja como lugar permanente do encontro da humanidade com a salvação trazida por Ele. A Igreja não resulta de um desígnio dos Apóstolos posterior à Ascensão do Senhor.

Com efeito. Diz Jesus em Mt 16,17-19, referindo-se ao Apóstolo Pedro:

"Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que te revelaram isso, e sim o meu Pai que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela; Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus".

Mais ainda: após a Ressurreição, Jesus cumpriu a sua promessa entregando a Pedro o primado de Pastor da Igreja:

"Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?' Ele lhe respondeu: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Jesus lhe disse: `Apascenta os meus cordeiros'. Uma segunda vez lhe disse: 'Simão, filho de João, tu me amas?'- 'Sim, Senhor, disse ele, 'tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas'. Pela terceira vez disse-lhe: 'Simão, filho de João, tu me amas ?'Entrísteceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara: Tu me amas ?'e lhe disse: 'Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo'.

Vêm ao caso outrossim as palavras do Senhor por ocasião da última ceia:

"Simão, Simão, eis que Satanás pediu ínsistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos" (Lc22,31s).

Estes textos manifestam suficientemente a intenção, de Jesus, de fundar a sua Igreja como instituição salvífica sob o pastoreio do Apóstolo Pedro e de seus sucessores (se Pedro é o fundamento visível da Igreja, o Apóstolo e suas funções hão de se perpetuar em seus sucessores, pois um edifício que perca seu fundamento, desaba fragorosamente).

De resto, o desejo de fundar a Igreja é coerente com a escolha dos doze Apóstolos por parte de Jesus (Mt 10,3), com a instrução e o envio dos mesmos em missão (Mt 28,18-20), como também com a instituição da Eucaristia, ceia da nova Aliança a ser renovada perpetuamente pelos discípulos (cf. Lc 22,20).

2. A Igreja de Cristo é chamada católica, porque universal ou destinada a todos os homens (sem distinção de raças ou classes); apostólica, porque fundada sobre os Apóstolos escolhidos por Cristo (cf. Ap 21,14)1; romana, porque o Apóstolo Pedro, chefe visível designado por Cristo, morreu em Roma como bispo desta cidade; em conseqüência, os seus sucessores, bispos de Roma, continuam a desempenhar as funções do primado.

0 título romana não nacionaliza a Igreja; é apenas o título que designa a sede do Pastor Supremo visível. Este tem que ter um referencial geográfico ou uma residência como Jesus, o Salvador de todos, tinha um endereço terrestre, a saber: a cidade de Nazaré; donde o aposto "Jesus Nazareno". Igreja Romana e "Jesus Nazareno" são dois títulos paralelos entre si, que não restringem o âmbito do Cristianismo, mas vêm a ser genuínos ecos do mistério da Encarnação que está no âmago da mensagem cristã.

Uma Igreja que não esteja em contato ou tenha perdido o contato com os Apóstolos, já não é a de Cristo.

 

1.2 - A IGREJA DE CRISTO PORTADORA DE VALORES TRANSCEDENTAIS, É TAMBÉM VISÍVEL E JURÍDICA

1. Jesus não confiou a Pedro e aos Apóstolos apenas a missão de pregar e ministar os sacramentos. Ele quis outrossim uma Igreja estruturada e jurídica sob o supremo pastoreio de Pedro (e não uma comunidade espiritual reunida tão somente pela fé e o amor).

Isto decorre dos textos já citados, com referência à função de Pedro e seus sucessores. Outros textos do Novo Testamento evidenciam esse aspecto orgânico e visível da Igreja. Assim, por exemplo,

Mt 118,11-22, o sermão comunitário do Evangelho, que propõe normas para a boa ordem eclesial e que tem seu ponto alto na seguinte passagem:. "Se teu irmão pecar, corrige-o a sós; se ele te ouvir, ganhaste teu irmão. Se não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas testemunhas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lhes dê ouvido, díze-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como gentio ou publícano. Em verdade vos digo; tudo quanto ligardes na terra, será lígado no céu e tudo quanto desligardes na terra, será desligado no céu" (Mt 18,15-18).

Jo 20,21-23: na noite de Páscoa, disse Jesus aos Apóstolos: 'A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio... Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles aos quais os retiverdes, serão retidos".

Mt 28,18-20: "Toda autoridade no céu e na terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tomem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei".

Todos estes dizeres do Senhor Jesus foram entendidos pelos Apóstolos de tal modo que eles começaram a exercer sua autoridade logo após Pentecostes com o pleno reconhecimento dos fiéis. É o que se depreende do livro dos Atos dos Apóstolos e das epístolas paulinas (especialmente 1 e 2Cor):

At 4,34s: "Não havia entre eles necessitado algum. De fato, os que possuíam terrenos ou casas, vendendo-os, traziam o valor da venda, e o depunham aos pés dos Apóstolos. Dístribuía-se então a cada um conforme a sua necessidade -.

At 6,1-6: "Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, surgiram murmurações dos helenístas contra os hebreus. Isto porque, diziam aqueles, suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Os Doze convocaram então a multidão dos discípulos e disseram: 'Não é conveniente que abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas. Procurei, antes, entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos desta tarefa. Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra%. A proposta agradou a toda a multidão. E escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nícanor, Tímon, Pármenas e Nícolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e, tendo orado, impuseram-lhes as mãos".

Veja-se também todo o capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos, que trata do primeiro Concílio da história, reunido para dirimir uma dúvida que se originara entre os cristãos sobre a obrigatoriedade ou não da lei de Moisés.

Em 1 Cor 5,3-5; 2 Cor 2,511 há referência à tuosos.

Em 1 Cor 11,23-34 Paulo censura os fiéis por causa de abusos na Ceia Eucarística e baixa normas para evitá-los.

Em lCor 14,26-40 o mesmo Apóstolo regulamenta o uso dos carismas e corrige mal-entendidos a respeito.

Em 2Cor 13,10 lê-se: "Eu vos escrevo estas coisas estando ausente, para que, quando aí chegar, não tenha que recorrer à severidade, conforme o poder que o Senhor me deu para construir, e não para destruir".

Os poderes de pregar, santificar e governar, concedidos por Jesus aos Apóstolos, haviam de ser duradouros ou transmitir-se-iam aos sucessores dos Apóstolos até a consumaçao dos séculos; se assim não fora, esfacelar-se-ia a obra de Cristo. Ora este prometeu: "As portas do inferno (ou o poder da morte) não prevalecerão contra a Igreja" (Mt 16,18) e: "Estarei convosco até a consumação dos séculos" (Mt 28,20).

2. A transmissão das faculdades dos Apóstolos nos é realmente atestada por documentos diversos:

As epístolas pastorais (1/2Tm, Tt) mostram o Apóstolo São Paulo a instituir Timóteo e Tito à frente de comunidades. Ver também Atos 14,23; Tt 1,5, textos que atestam a instituição de presbíteros para pastorear comunidades recém-fundadas. 0 Apocalipse, no fim do século 1, fala dos anjos (Bispos) de sete comunidades da Ásia Menor (1,20; 2,1-3,14).

Mais: os primeiros escritores cristãos após os Apóstolos nos séculos 1/11 dão a ver a consolidação da hierarquia da Igreja, com seus bispos, presbíteros e diáconos; os principais nomes a citar são os de S. Clemente de Roma (t 96 aproximadamente), S. Inácio de Antioquia (t 107 aproximadamente), São Policarpo de Esmirina (t 156), S. lreneu de Lião (t 185)...

3,/As considerações até aqui propostas tendem a evidenciar por que um cristão pode e deve aceitar o sacramento da igreja, decorrente do Sacramento da Encarnação ou de Jesus Cristo. Esta proposição é, de resto, muito claramente desenvolvida pela Constituição Lumen Genflum do Concílio do Vaticano 11):

"0 único Mediador Cristo constituiu e incessantemente sustenta aqui na terra a sua santa igreja, comunidade de fé, esperança e caridade, como organismo visível, pela qual difunde a verdade e a graça a todos. Mas a sociedade provida de órgãos hierárquicos e o Corpo Místico de Cristo, a assembléia visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja enriquecida de bens celestes, não devem ser consideradas duas coisas, mas formam uma só realidade complexa, em que se fundem o elemento humano e o divino. É por isto, mediante uma não medíocre analogia, comparada ao mistério do Verbo Encarnado. Pois, como a natureza assumida índissoluvelmente e unida a Ele serve aoVerbo Divino como órgão vivo de salvação, semelhantemente o organismo social da Igreja serve ao Espírito de Cristo, que o vivifica para o aumento do Corpo" (n.º 8a).

1.3. E AS FALHAS DA IGREJA?

São Paulo nos diz que a Igreja é "a Esposa de Cristo sem mancha nem ruga" (cf. Ef 5,27). Ela é santa, porque Cristo nela vive e atua, garantindo a sua indefectibilidade em matéria de Fé e de Moral. Acontece, porém, que a Igreja é Mãe de criaturas frágeis, que cometem o pecado à revelia da Igreja; em conseqüência, o pecado está na igreja (porque está nos filhos da Igreja), mas não é da Igreja; é na própria Igreja que o pecador encontra os recursos para se purificar do pecado e o sobrepujar. Quem, dentro da Igreja, procura os meios de santificação (os sacramentos e os sacramentais), é plenamente atingido pela graça de Deus, independentemente do tipo de vida dos irmãos com quem comunga. A propósito vêm as palavras do Papa João Paulo II dirigidas aos jovens da França em 1986:

"A Igreja conduz-nos para as fontes de santidade desde o nosso Batismo. Ela é nossa Mãe. Uma Mãe que alimenta e reconcilia. Uma Mãe não pode ser criticada como um estranho, porque amamos aquela que nos deu a vida".

Donde se vê que a atitude do fiei católico diante das falhas existentes na Igreja não é a crítica azeda ou destrutiva, mas é, antes, o sentir-se chamado à santidade; esta vocação não é cancelada pelas falhas alheias; ela se realiza precisamente no bojo da Igreja Sacramento, sinal sensível pelo qual indefectivelmente passa a graça de Cristo para quem 0 procure sinceramente.

1.4 PALAVRA FINAL

Eis, em síntese, por que sou católico. De resto, sabemos que a fé não resulta simplesmente de demonstrações acadêmicas; ela está na dependência de outros fatores: a graça de Deus (que nunca falta) e as disposições da pessoa interpelada pela mensagem da fé; na verdade, toda pessoa é um mistério, que, além do seu plano intelectual, traz também um mundo de afetos e sentimentos, que disputam com a razão a hegemonia sobre o indivíduo, mas se podem harmonizar com a razão e a fé.